Para que o governo federal atinja a meta de colocar 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior até 2020 - hoje são 13% - será preciso uma nova edição do Reuni, mas duas vezes maior.
Segundo especialistas, para que essa utopia torne-se realidade dois pontos são fundamentais: o entendimento político de que o Reuni (programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) é estratégico para o desenvolvimento do Brasil e, portanto, requer altos investimentos; e uma reforma profunda que assegure uma maior autonomia no modelo de gestão das instituições.
O raciocínio acima foi o destaque na última quinta-feira (28) no 8º Seminário Nacional do Reuni. O evento, que reúne reitores, vice-reitores e demais representantes das Instituições Federais de Ensino Superior, contou com mesas redondas recheadas de números e reflexões sobre a consolidação do programa em andamento e meios de atingir metas futuras. "Os debates devem orientar o novo PNE (Plano Nacional de Educação), que passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2011 e tem duração de 10 anos", comentou o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior.
Os números do Reuni dão a dimensão dos esforços necessários para atingir os pontos almejados na próxima década. De 2006 a 2012, prazo de vigência da primeira edição do programa, o número de vagas nas universidades públicas brasileiras deve dobrar - de 600 mil para 1,2 milhão. Para isso, o governo investe uma quantia de cerca de R$ 4 bilhões em infraestrutura. "Esses números vão dobrar se quisermos resultados reais. Para isso, é preciso vontade política para articular o orçamento", comenta o presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes de Ifes), Alan Babiero.
Mais do que a verba, reitores de diversas universidades apontam a necessidade de mudanças no modelo de gestão. "O sistema atual é de 30 anos atrás, não acompanha o processo histórico de crescimento que estamos vivendo", comenta o reitor da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Rômulo Polari. O professor ressalta, por exemplo, a necessidade de criar órgãos nas universidades que as aproximem do setor produtivo. "Consultorias a empresas privadas e públicas ajudam a captar de recursos", diz Rômulo. "Essa é uma das formas de garantir a autonomia, por ser uma alternativa às fundações de apoio".
Qualidade
O reitor paraibano ressalta que, além de contrariar o Artigo 207 da Constituição Federal, o atual engessamento da administração nas universidades representa um dos principais entraves ao Reuni. E sugere medidas emergenciais a serem levadas ao Congresso Nacional como projeto de lei. "Uma vez liberado o orçamento, esse não pode ser cortado. Também deve haver flexibilidade para a aplicação interna do dinheiro que, se não investido totalmente, volta a ser aplicado no próximo ano. Hoje, pela lei, somos obrigados a ser ineficientes", provoca o gestor.
Para o reitor da Universidade de Brasília, uma nova edição do Reuni deve levar em conta aspectos qualitativos da expansão. "Hoje colhemos resultados quantitativos. Nos próximos anos o foco deve levar em conta a qualidade", observa José Geraldo. Para isso, o professor considera fundamental um investimento na área da pós-graduação. "É preciso dar um direcionamento para os milhares de novos alunos que estão entrando nas universidades para que o sistema não fique estagnado", afirma ele, que também destaca a meta de ampliar o número de estudantes em instituições públicas.
FONTE: Uol Educação